Biodegradação

12-02-2011 17:54

Biodegradação

 

Júlio Cesar de Carvalho*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Objetivos

Determinar a biodegradabilidade de materiais diversos, de forma a:

  • ilustrar a dificuldade de degradar alguns materiais;

  • ilustrar como a degradação acontece;

  • mostrar que, por ser a degradação um processo difícil, uma ação responsável é dispor corretamente dos resíduos e, se possível, reciclá-los;
  • Ponto de partida

    Não há pré-requisitos, mas a abordagem pode variar dependendo da série em que a prática for aplicada. Sugestões de níveis diferentes de complexidade são dadas no final. Para esta prática, será necessário usar uma área de solo. Alternativas são dadas no final. Esta prática pode durar de algumas semanas a alguns anos (!).

    Estratégias

    1) Peça aos alunos que leiam com antecedência o texto Poluição, meio ambiente, reciclagem no site Educação do UOL e outros que você considere interessantes. Peça também que separem um pedaço de lixo qualquer, de 5 a 10 cm - por exemplo, de saco plástico, tecido, chapa de metal, madeira, papel, lata, um biscoito...

    2) Em conjunto com os alunos, liste os materiais e discutam quais os que irão degradar mais rapidamente e por quê. Em alguns casos faltarão informações (por exemplo, qual o material), e isso não deverá ser encarado como falta do aluno ou do professor, mas um motivo a mais para testar.

    3) Se possível, peça aos alunos que fotografem e pesem os materiais, secos, antes do passo 4.

    4) "Enterro": Em uma área de solo, disponha os materiais (de forma que se saiba onde estava cada um, no futuro) e cubra com uma camada de 2cm de solo.

    5) Agora é tempo de esperar. A decomposição de muitos materiais é lenta, e é importante que se passem pelo menos algumas semanas. Chuva, sol e ervas daninhas fazem parte do experimento!

    6) "Exumação": Passado o tempo estipulado, é hora de retirar cuidadosamente o que sobrou dos materiais e examiná-los. Se for possível, eles poderão ser lavados, secos, e novamente fotografados e pesados. Devem ainda ser comparados com uma amostra equivalente à original!

    7) Dividindo os alunos em equipes, deixe que eles discutam os resultados e, se tiverem dados suficientes (como o peso) estimem o tempo de degradação de cada material. Esses materiais poderão então ser classificados como degradáveislentamente degradáveis e não degradáveis.

    8) Cálculos ambientais: Todo mundo tem direito a dar o seu palpite (alarmista ou realista) sobre o futuro. Peça aos alunos que, usando os valores estimados de produção de lixo municipal e da população, façam uma projeção da quantidade de lixo que é produzida hoje na sua cidade, qual a fração degradável e qual a quantidade de lixo que estará acumulada em 20 anos, se a reciclagem não for feita de forma intensiva.

    Sugestões e dicas

    Quase não há limite para os desdobramentos que poderão ser feitos a partir dessa aula. Por exemplo, em conjunto com o professor de biologia, poderá ser feita uma discussão dos mecanismos de degradação; outros temas ligados à poluição poderão ser trabalhados à época do "enterro" ou da "exumação". Para os cálculos do item 8, professores de matemática poderão dar auxiliar usando progressão geométrica (a produção de lixo aumenta mais ou menos 3% ao ano, ao ritmo de hoje, enquanto o incremento da população pode ser pesquisado no site IBGE@cidades)

  • O que fazer caso não haja uma área aberta disponível: a) use vasos com solo, que deverão ser regado de vez em quando, e deixe o material em um canto da sala de aula ou do laboratório, devidamente identificado; ou b) peça aos alunos que, em equipe, preparem e documentem (por exemplo, fotos ou filme) o experimento, em casa, mas com as mesmas condições.

  • O que fazer para turmas grandes: essa é uma boa oportunidade de testar os mesmos conjuntos de materiais em condições diferentes. Amostras dos mesmos materiais poderão ser deixadas em solo (cobertos com 2cm de terra), solo seco (ao abrigo da chuva), solo mais profundo (15-20 cm, onde há menos oxigênio), água etc.

  • O que fazer caso se disponha de uma balança semi-analítica: não adianta pesar os materiais e comparar seus pesos se, ao início, o material estiver seco e, num segundo momento, estiver úmido (estará bem mais pesado). Deixar o material lavado secando em um local quente e seco por alguns dias, ou de um dia para outro em uma estufa, irá gerar resultados muito bons.

  • O que fazer caso se disponha de muito tempo: Caso o experimento dure vários meses ou até um ou dois anos, é preciso documentá-lo com muito cuidado (para que equipes um pouco diferentes da original, ou até outra turma possa fazer a "exumação"). Além disso, pode-se enterrar juntos dois ou três pedaços do mesmo material e fazer amostragens intermediárias - após um mês, seis meses e um ano, por exemplo. 
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    *Júlio C. de Carvalho é engenheiro químico e professor do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UFPR.