Temperatura Corporal - Febre

04-01-2011 13:19

 TEMPERATURA CORPORAL

(FEBRE E HIPOTERMIA)

 

 

A temperatura do interior do corpo (temperatura central) permanece quase constante, dentro de uma variação de mais ou menos 0,6º C, mesmo quando exposto a extremos de frio ou calor, graças ao aparelho termorregulador.

 

A temperatura corporal obedece a um ritmo circadiano, atingindo o seu máximo durante o anoitecer entre 18 e 22 horas e a sua maior baixa no início da manhã entre 2 e 4 horas.

 

Os valores térmicos estão aumentados em certas condições, tais como refeições, exercícios intensos, gravidez ou ovulação.

 

 

Regulação da temperatura corporal

 

A manutenção da temperatura corporal  é resultado do equilíbrio entre a produção do calor (combustão de alimentos, fígado e músculos) e a perda calórica.

 

O calor gerado no interior do organismo chega à superfície corporal através dos vasos sangüíneos que formam o plexo vascular subcutâneo, mas pouco calor se difunde para a superfície, graças ao efeito isolante do tecido adiposo.

 

O fluxo sanguíneo para a pele representa até 30% do débito cardíaco total. A condução do calor para a pele é controlada pelo grau de constrição das arteríolas e das anastomoses arteriovenosas (sistema nervoso simpático), sendo que ao chegar na superfície, o calor é transferido do sangue para o meio externo, através de: irradiação (60%), evaporação (22%),  convecção (15%) e condução (3%).

 

Termostato hipotalâmico

 

Os estímulos que atingem os receptores periféricos são transmitidos ao hipotálamo posterior, onde são integrados com os  sinais dos receptores pré-ópticos para calor, originando impulsos eferentes no sentido de produzir ou conservar o calor (vasoconstrição na pele, piloereção, produção de hormônios como a tiroxina, e os tremores musculares) ou perder calor (estimulação de glândulas sudoríparas e vasodilatação dos vasos cutâneos).

 

Locais de verificação da temperatura e Valores normais

 

Ainda há bastante polêmica quanto ao local ideal para se fazer a mensuração; pode ser: axilar, oral, retal, timpânico, esofágico, nasofaringiano e vesical.

    Temperatura axilar: 35,5 a 37ºC, com média de 36 a 36,5ºC

    Temperatura bucal: 36 a 37,4ºC

    Temperatura retal: 36 a 37,5, isto é, 0,5ºC maior que a axilar

 

Sinal de Lenander: temperatura retal ultrapassa a axilar em 1ºC, como nas pelviperitonites.

 

 

FEBRE

 

Significa elevação da temperatura corporal como resultado de uma elevação do ponto de ajuste do termostato hipotalâmico.

 

A elevação do ponto de regulação térmica desencadeia uma série de mecanismos destinados a aumentar a temperatura corporal central (tremores, vasoconstrição, aumento do metabolismo celular, etc.) de forma a atingir o novo equilíbrio.

 

Pode ser causada por distúrbios no próprio cérebro ou por substâncias tóxicas que influenciam os centros termorreguladores chamadas pirogênios endógenos (IL-1, TNF, IL-6, IL-2, etc) e exógenos (bactérias, vírus, lipopolissacarídeos, etc). Os pirogênios endógenos agem no SNC, estimulando a produção de prostaglandinas (PGE2), que irá atuar no hipotálamo, desencadeando a reação febril.

       - Ação da aspirina, paracetamol e dipirona na redução da febre

 

Hipertermia

 

Elevação da temperatura corporal acima do ponto de regulação térmica, mais freqüentemente secundária à ineficiência dos mecanismos de dissipação do calor ou, menos freqüentemente, por produção excessiva de calor com dissipação compensatória insuficiente. Não responde aos antipiréticos comuns.

Exemplo: intermação (temperaturas ambientais extremamente altas ou decorrente de esforços).

 

A febre é benéfica ao paciente?

·       Diminuição do crescimento e da virulência de várias espécies bacterianas e aumento da capacidade fagocítica e bactericida dos neutrófilos e dos efeitos citotóxicos dos linfócitos - Neurossífilis, infecções gonocócicas, artrite reumatóide;

·       A maior velocidade dos processos metabólicos acentua a perda de peso, aumenta o trabalho e a freqüência cardíaca. A sudorese agrava a perda de líquidos e sais. Pode haver mal-estar conseqüente à cefaléia, fotofobia, indisposição geral ou uma desagradável sensação de calor. Os calafrios e os suores profusos das febres sépticas são particularmente penosos para o paciente – Neoplasias malignas, IAM.

 

 

Sintomas subjetivos da febre

 

Síndrome febril

Astenia, inapetência, cefaléia, taquicardia, taquipnéia, taquisfigmia, oligúria, dor no corpo, calafrios, sudorese, náusea e vômitos, delírio, confusão mental, convulsões...

 

 

 

 

 

Características semiológicas da febre

1- Inicio: Súbito ou gradual

2- Intensidade:

Leve ou febrícula: até 37,5 °C

Moderada: 37,5 a 38,5 °C

Alta ou elevada: acima de 38,5 °C

3- Duração:

·  Poucos dias

·  Prolongada (mais de 10 dias): tuberculose, malária, septicemia, endocardite infecciosa, colagenoses, linfomas, pielonefrite, febre tifóide.

4- Modo de evolução

5- Término

·  Em crise: a febre desaparece subitamente

·  Em crise: a febre diminui lentamente

 

Modo de evolução

Quadro térmico normal

 

Febre Contínua: permanece sempre acima do normal, com variações de até 1°C, sem grandes alterações.

 

Febre Irregular ou Séptica: Picos muito altos intercalados por temperaturas baixas ou apirexia, sem qualquer caráter cíclico. (septicemia, abscessos pulmonares, empiema vesicular, TB, fase inicial da malária)

 

 

Febre Remitente: Hipertermia diária com variações de mais de 1°C e  sem períodos de apirexia. (septicemia, pneumonia, TB)

 

Febre Intermitente: A hipertermia é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal; cotidiana (manhã/tarde), terçã (um dia) ou quartã (dois dias). Causas: malária, infecções urinárias, linfomas e septicemias.

 

Febre Recorrente ou Ondulante: Período de temperatura normal que dura dias ou semanas, interrompido por períodos de temperatura elevada, sem grandes oscilações. (doença de Hodgkin e outros linfomas)

 

 

 

Causas de febre

 

As doenças causadoras de febre podem ser divididas em 3 tipos:

1-  Aumento da produção de calor: hipertireoidismo

2- Bloqueio na perda de calor: ausência congênita das glândulas sudoríparas, ICC.

3-  Lesão de tecidos:

·  Infeções por bactérias, rickettsias, virus e outros parasitas;

·  Lesões mecânicas: cirurgias, esmagamentos;

·  Neoplasias malignas: linfoma, Ca primitivo ou metastático do fígado;

·  Doenças hemolinfopoéticas: anemias hemolíticas, púrpura, hemofilia.

·  Afeções vasculares: IAM, hemorragia, tromboses

·  Mecanismos imunológicos: autoimunidade, medicamentos

·  Doenças do SNC: AVC, TCE, Cirurgia, lesão da medula...

 

Febre de origem indeterminada (febre de origem obscura): todo processo febril com duração de mais de três semanas, com temperaturas maiores que 38,3ºC, por várias vezes, cujo diagnóstico não é estabelecido após uma semana de hospitalização.

Causas: infecções (30-50%), neoplasias e doenças hematológicas (10-30%), miscelânea (20-40%); TB.

 

Hipertermia maligna: Síndrome hipermetabólica de causa desconhecida deflagrada em indivíduos suscetíveis por anestésicos gerais, relaxantes musculares e possivelmente, pelo estresse.

 

 

HIPOTERMIA

 

Diminuição da temperatura corporal abaixo de 35,5ºC na região axilar ou de 36ºC no reto, associada a condições que diminuem a produção de calor ou aumentam a sua perda.

Hipotermia leve: 32 a 35ºC

Hipotermia moderada: 30 a 32ºC

Hipotermia grave: abaixo de 30ºC

 

Fatores predisponentes para o aparecimento de hipotermia


Fatores pessoais


·  Roupa inadequada

·  Roupa molhada

·  Extremos de idade (recém-

nascido, idoso)

·  Alteração do estado de

consciência

·  Debilidade e exaustão

·  Imobilidade

Drogas

·  Álcool

·  Anestésicos

·  Antitiroideus

·  Narcóticos

·  Sedativos/hipnóticos

·  Hipoglicemiantes

 

Estado de saúde

·  Alcoolismo

·  Queimaduras graves

·  Insuficiência cardíaca

·  Demência

·  Lesões do SNC

·  Secção transversal da medula                 espinhal

·  Encefalopatia

·  Diabetes ou hipoglicemia

·  Malnutrição

·  Mixedema (hipotireoidismo)

·  Hipopituitarismo

·  Insuficiência supra-renal

·  Choque